Que as resplandecentes
Asas providentes
Velem sem descanso tua alvura
Que os virgíneos peitos teus – imaculados!
Permaneçam dos ardores apartados:
P’ ra mim só esta ventura
P’ ra mim só esta ternura!
***
E chegou a primavera
– Época de amores!
E meu peito desespera
Marcado p’ los desamores!
***
Teus pais, em tempos,
Foram duas abelhas
Brincando num jardim;
Desse momento surgiste tu:
Um favo de mel em corpo de flor!!
***
Basta eu ao de leve
Os olhos em ti pousar
Para logo a correr
Este louco coração
Do peito se despregar
P’ ra ir teus olhos beijar!
***
Eu sou apenas mais um pássaro
Vogando nos céus desta ilha
E meus olhos mais um barco
No horizonte fugidos
– Que tu, no horizonte,
És sonho, Céu e Mar!
***
A tua boca, os teus lábios
Cativam infinitamente mais
Que a mais cativante
Cereja do cedo
Corada na ponta
Inacessível da cerdeira!
***
Coloquei-te num pedestal,
Pedestal que tenho no peito
E fiz dele meu altar!
***
Ao médico jura o doente,
Ao álcool o embriagado...
Assim também novamente,
Ante ti – E não rima! –
Minh’ alma recai quebrada!
***
Olhos fixos na janela
A olhar p’ ra lado nenhum
Olhava p’ ra dentro do peito
Onde vivo sem mim.
***
Por ti
Era capaz de abandonar o paraíso,
De perder a eternidade...
Só para, um segundo que fosse,
A teus pés me prostrar!
***
Eu sós sei te encontrar
Nas ondas
Do mar
E eu só sei te beijar
Em sonhos de areia
Em oásis de luar!
***
Saber que te quero, te desejo:
Não um físico querer, ou desejar
É que nunca posso – sempre que te vejo! -
Olhar-te, sem dentro de mim chorar.
***
Sonho alto – muito alto
E ando no sonho a penar,
E ando tão alto no sonho
Que só posso vive-lo no ar!
***
Eu sempre soube pôr no rosto
Um sorriso amarelo
P’ ra camuflar o desgosto
Dos macerados desvelos
***
Quis ter vida de um rei
Um dia depois que nasci.
Mas agora que cresci
Só te quero a ti:
Que assim eu serei
Muito mais que um príncipe,
Muito mais que um rei!
***
É a sina que assim quer:
Que eu assim me mova
Ausente solitário e só,
Sem ninguém que veja e promova
Esta alma e dela com dó.
***
Eu vivo num canto perene,
Criado por mim, que é só meu,
Até que donzela me eleve
Ao sonho que é meu e teu.
E quando – se tal alcançar!
Num só fundidos os dois
Cada momento que chegar
Será presente sem depois!