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2005-03-28

Um mimo

Não conheço nada tão bom,
Tão lindo
Como os teus lábios sorrindo,
Brincando
Ao deleve bailando!

E eu por entre estrelas perdido
Olhando
Esquecido vou aspirando
Divino
Encanto de deus-menino:

Botão de rosa senti
Deliro
Aroma de ti respiro
Um mimo
Celeste deliro de um beijo!

Sonhei!!!
Sonhei!!! - inferno !
Inferno no peito:
No lume, na ânsia
No sonho desfeito...

Baptismo

dedicado a uma
“rosa-dos-ventos”


Se nova flor eu devesse baptizar,
Que nome lhe daria?
- Não o teu - tu es coisa bem mais linda!
- Não mulher - tu estarias incluída!
- Não carinho - tu es coisa bem mais qu’ rida!
O quê, que iria eu lhe chamar?
Com que a relacionaria?
- Néctar não - tua boca é mais divina!
- Beijo não - era os lábios te insultar!
- Não ternura - é o nome do teu olhar!
Como então? Que nome lhe dar?
Qual aquele que merecia?
- Sonho, seda - um só que fosse -
Doce infindo, firmamento,
Lindo adejo de euforia,
Paraíso, chamamento...
Tu em tudo es mais bela”
E ao mostrar-te perante ela
Só “rubor” eu lhe daria!

Desventura

Sozinho sentado na noite ao luar
Olhei a sombra – vogando no ar!
As asas feriam o doce voar:
Alcançar não podiam a rosa do ar!

Ergui os olhos p’ràs flores do céu,
Beijei a lua em sereno brilhar!...
Veio uma nuvem a lua escondeu,
Veio uma lágrima bailar-me no olhar!

Coup de foudre

Sente-se nos olhos um doce embriagar,
Sente-se na alma um quente arrebatar,
No corpo, no íntimo, um ledo tremer,
Sentimos nas veias a ânsia a correr,

Trazemos no peito um rio de prazer,
Trazemos no olhar loucura a bailar,
Já nem sequer olhamos com olhos de ver,
Sentimos com asas de utopia a sonhar,

É áurea escultura o esplêndido ser,
É flor divina o nosso querer,
Um hiper-perfeito e angélico ser!

Enfim!.. Uma vez mais vemos nascer
Um novo sonho, um ledo viver!...
- Mas que, por certo, nos fará sofrer!

2005-03-18

poemetos

Que as resplandecentes
Asas providentes
Velem sem descanso tua alvura

Que os virgíneos peitos teus – imaculados!
Permaneçam dos ardores apartados:
P’ ra mim só esta ventura
P’ ra mim só esta ternura!

***

E chegou a primavera
– Época de amores!
E meu peito desespera
Marcado p’ los desamores!

***

Teus pais, em tempos,
Foram duas abelhas
Brincando num jardim;
Desse momento surgiste tu:
Um favo de mel em corpo de flor!!

***

Basta eu ao de leve
Os olhos em ti pousar
Para logo a correr
Este louco coração
Do peito se despregar
P’ ra ir teus olhos beijar!

***

Eu sou apenas mais um pássaro
Vogando nos céus desta ilha
E meus olhos mais um barco
No horizonte fugidos
– Que tu, no horizonte,
És sonho, Céu e Mar!

***

A tua boca, os teus lábios
Cativam infinitamente mais
Que a mais cativante
Cereja do cedo
Corada na ponta
Inacessível da cerdeira!

***

Coloquei-te num pedestal,
Pedestal que tenho no peito
E fiz dele meu altar!

***

Ao médico jura o doente,
Ao álcool o embriagado...
Assim também novamente,
Ante ti – E não rima! –
Minh’ alma recai quebrada!

***

Olhos fixos na janela
A olhar p’ ra lado nenhum
Olhava p’ ra dentro do peito
Onde vivo sem mim.

***

Por ti
Era capaz de abandonar o paraíso,
De perder a eternidade...
Só para, um segundo que fosse,
A teus pés me prostrar!

***

Eu sós sei te encontrar
Nas ondas
Do mar
E eu só sei te beijar
Em sonhos de areia
Em oásis de luar!

***

Saber que te quero, te desejo:
Não um físico querer, ou desejar
É que nunca posso – sempre que te vejo! -
Olhar-te, sem dentro de mim chorar.

***

Sonho alto – muito alto
E ando no sonho a penar,
E ando tão alto no sonho
Que só posso vive-lo no ar!

***

Eu sempre soube pôr no rosto
Um sorriso amarelo
P’ ra camuflar o desgosto
Dos macerados desvelos

***

Quis ter vida de um rei
Um dia depois que nasci.
Mas agora que cresci
Só te quero a ti:
Que assim eu serei
Muito mais que um príncipe,
Muito mais que um rei!

***

É a sina que assim quer:
Que eu assim me mova
Ausente solitário e só,
Sem ninguém que veja e promova
Esta alma e dela com dó.

***

Eu vivo num canto perene,
Criado por mim, que é só meu,
Até que donzela me eleve
Ao sonho que é meu e teu.
E quando – se tal alcançar!
Num só fundidos os dois
Cada momento que chegar
Será presente sem depois!

MANTO NEGRO

Vesti de negro o marinho olhar,
Depois que perdi a cor do cantar;
Vesti de negro o leve sorrir,
Depois que perdi o ledo luzir!

Porquê de negro? - vão perguntar.
Pois o mais negro está para vir:
É que a cor da rosa paixão
Passou a negro pela sua mão!!

TRISTE ILHÉU

Partiu o sol – e o vento voltou!
O horizonte de nuvens se encheu.
Também a chuva voltou e gemeu;
E até o frio já neve formou!...

Caem as folhas – o outono chegou!
Já longe o verão que outrora aqueceu.
Teimosa nuvem! – a lua escondeu,
E o doce luar, de novo, levou!

Um acre caudal de ventos, de chuvas,
Um tempo de gelo vogando no céu...
E eu – quão distante – sou triste ilhéu

Clamando, doce flor, teu ledo véu,
Em clamores de tristezas tão graúdas
Que não são mais, porém, que vãs e mudas!

AMOR RIMA COM DOR

Sentir no coração este calor
E na alma, tão profunda, esta dor,
Sentir nos olhos um acre sabor
E no tempo a fragrância de uma flor!...

Sentir brilhar no alto uma estrela
E o abismo incisivo de perdê-la,
Sentir o renascer da primavera
E a mágoa dissecante de tão fera!...

Sentir o inverno frio e nebuloso
No doce chilrear da primavera,
Sentir no olhar meigo e radioso
A solidão, a nostalgia que me aferra!...

Sentir no olhar terno um ardor,
Bem no peito, quase insano, um clamor...
Vivo em sonho, vivo em choro, vivo em dor,
Febril e carcomido neste amor!

RASGO DE PAIXÃO

Sempre que o olhar em ti se aninha
Eu vagueio por desérticos jardins;
Nesse andar errante erra em mim
Ardente angústia que em brasa se mantinha!...

No errar de minha ânsia - em ti sedenta -
Um caudal de fogo ali caminha,
Um fogo que consome e alimenta
As garras que rasgaram a alma minha!...

No rasgo de meu peito – um rasgão,
Nas fendas do olhar – enorme rasgo,
Na rasgada alma p’ la paixão
Caminha a dor – sulcando novo rasgo!...

Tanto rasgo traz no peito azedume
E nos gretados lábios um queixume!
Traz um o olhar – se lacrimeja:
Mais rasgado se a lágrima te beija!!

Uma coisa em tanto corte tenho certa:
A seu gosto passeando a nostalgia,
Qual lâmina! Que sinto noite e dia,
Enorme rasgo reabrir na fenda aberta!

TEMPO DE OUTRORA

Por quanto queira esquecer
Estes loucos tempos de então:
Roga-me o peito que não.
Gravuras de sedução
Unidas em nós de prazer:
Tão lindas, ardentes manhãs,
A não ser, princesa, que rubras romãs
Saibam, queiram, anseiem: As tuas!
Tuas, sim... E venham as duas
Enfim, de novo, agora dementes.

O que tens, o que sentes?

Que tens que não voltas?
Um dia veio, e tu - feliz! - para mim
Entre sorrisos e palavras soltas.

Subiste-me ao peito!
Infindo instante! Saboreado
Na sombra de um leito!
Tão lindo, tão ledo
(Ocaso dos sentidos, aurora do prazer...)

Por quanto esteja em segredo
Ou ande em mim desvairado:
Rio, qual criança! ao te ver!

Tu, não sei. Recordar-te-ás?
Isso sim, concerteza; Porém

Antes ainda do fim, ir-te-ás?
Mais não sentes - aqueles tempos além
Ou outros mais acolá,
Rindo outrora, chamar-nos, agora tristes?

É! Sim, é verdade! A natureza insiste

Agora que a flor despontou.

Resvalemos,
Esqueçamos o mundo, o tempo...
Sejamos só um momento.
Percamos o siso.
O outro tempo, que não encantou,
Será tempo esquecido?
Tu, minha asa, romã sem til ao invés,
Anda, vem embriagar-me outra vez.

Mirandela, 94/Abril

SÓ MAIS UM SONHO

Húmidos beijos os olhos te lançam
Enquanto
Roído pelo desejo
Marejam lágrimas
Inflamadas
No coração, onde,
Impávido! teu rosto
Arde em devoção!
Mais!
Avido que vai este peito!
Retorcido, carente, ansioso!...
Ilha perdida, nesta ferida
Alma penosa
De que fiz sacrário
Em que te pus!
Já, contudo, sinto
Ermo o sonho no mundo;
Só! Não lobrigando sequer
Um ligeiro luzir... sim,
Será apenas só mais um sonho!!


Vila Franca do Campo, sexta-feira 13 de Março de 1998

FELIZ INQUILINA

O meu peito traz erguido,
Como árvores nos jardins,
Um gélido órgão despido:
- Da solidão farto festim.

Fez em si feliz pousada
A inquilina – não convidada –
E o meu órgão erguido despido
Já se fez acostumado
A ser nu e desnutrido!

Aceitou, quase feliz,
A inquilina, com agrado:
E o meu peito já diz
Sentir um novo amparo:::

Vejam só que estranho fado,
Que tão mirrado viver:
De sempre andar isolado,
De a alma lhe andar a morrer,
Sente até que foi prendado.

Vila Real, 96/12/11

SURPRENDRE PERE-NOEL

Si j’étais petit garçon,
Que j’écrivais au Père Noël,
Je lui demanderais - tous les ans
De m’offrir un cadeau éternel:
- Toi!!
Et, là J’attendrais - toute la nuit,
En cachette,
Pour surprendre Père Noël
Dans ma plus belle chaussette,
Gentiment te poser
- Ma PRINCESSE.

Sainte-Savine, 96/12/26

2005-03-10

Eu quero amar-te!

Eu quero amar-te!
Amar só por amar,
Como ama tanta gente!
Eu quero amar-te!
E beijar só por beijar,
Como beija tanta gente!
Eu quero amar-te!
Amar-te e sentir-te e tocar-te:
Teus olhos, teu peito, teus sonhos...
Eu quero amar-te!
Aspirar por entre o teu peito
A brisa fecunda dos sonhos!
Eu quero amar-te!
Envolver-te SÓ neste MEU jeito,
Perder-te na chama do peito...
Eu quero amar-te!
Beijar-te no ventre, soprar-te nos olhos,
E pôr-te nos seios o lume de abrolhos.
Eu quero amar-te!
De gelo no peito, no estio do leito;
Fundir-te comigo, sentir rua arte!
Eu quero amar-te!
E penetrar-te – num manto desfeito,
Por sendas de insenso!
Eu quero amar-te!
Num estio propenso, que faça voar-te.
Eu quero amar-te!
Fingir que perdidamente,
Quando perdidos de mente!
Eu quero amar-te!
Amar só por amar,
Como ama tanta gente!
Dezembro/1993

Em devaneio

Oh, quem dera…
Encantado… deitado… a teu lado…
Num prado em flores…
E após repousar,
Sob um beijo orvalhado da luz dos amores!!!


Vila do Porto (Santa Maria – Açores), 2005-03-10

2005-03-08

Anjo-Flor

Mulher-anjo, mulher-flor,
Mulher-ternura também,
Mulher-essência-de-amor:
Na meiga pele que tem!

É cativante o fulgor
A ânsia que dele advém!...
Mulher mais pura que flor
Na doce alvura que tem!

As rosas veneram teus pés,
Alva e angélica flor,
No jardim de Vénus tu és
A flor-ciúme-de-flor!

Inebriante, amorosa!
Ela aqui está – vejam bem
Que é igual à da rosa
A doce fragrância que tem!

Mulher:

Mãe,
Única,
Linda,
Honorável,
Eternamente
Renovada!!!

Vila do Porto (Santa Maria, Açores), 8 de Março de 2005