Ouve(te)
Ouve!
Ouve dentro de ti
O crepitar do sangue
Que te banha,
Ouve!
Sente o apelo da pele,
Ouve-a como te impele
A tomar o manto
De um canto de ave,
Ouve!
Aceita o brado da tua alma
Que aspira a palma
A sombra
Suave
De idílico canto d’ ave!
Ouve!
Que, por vezes,
Por não ouvirmos, não vemos
O quanto queremos
Algo que temos,
Que por não ouvir
Tememos
E deixamos voar,
No tempo que perdemos,
A recear, a evitar,
O que tanto queremos…
E que tendo - não temos
V. F. Campo, 1999-05-27
