FELIZ INQUILINA
O meu peito traz erguido,
Como árvores nos jardins,
Um gélido órgão despido:
- Da solidão farto festim.
Fez em si feliz pousada
A inquilina – não convidada –
E o meu órgão erguido despido
Já se fez acostumado
A ser nu e desnutrido!
Aceitou, quase feliz,
A inquilina, com agrado:
E o meu peito já diz
Sentir um novo amparo:::
Vejam só que estranho fado,
Que tão mirrado viver:
De sempre andar isolado,
De a alma lhe andar a morrer,
Sente até que foi prendado.
Vila Real, 96/12/11

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