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2007-01-04

Progressão retrocesso

Lançado pelo destino
Caí num pedaço de nada!

Ciente que era do retrocesso,
Na vã tendência de querer ser alto,
Lancei os dados - e fui vencedor!

Peguei na soma
Dos pontos dos dados e
P'ela mão do meu fado,
Em alado condor,
Vaguei ao deserto da humidade!

Ciente que era do retrocesso!
Tomei de surpresa, num como regresso,
O meu retrocesso avante.

Degredado – ciente à partida! –

Num grão de mar!
Porém com o credo de um dia voltar!

Sim, hei-de voltar...
Contudo, entretanto,
Entre raiva e pranto
Esvai-se o longo tempo.
E eu
Com o credo de um dia voltar
Acompanho o seu arrastar.

Enquanto, neste grão de mar,
Vou – arredio de nativos
Em cujos entrudos
Grunhem olhares mesquinhos,
Em cujas caixas
Palpitam suspiros de bílis,
Em cujos esgares
O não é sim, o sim é não e tudo é nim –
Alando meu fado
Para que o credo, ainda que a nado,
Me faça progresso.

Vila do Porto, 2007-01-03