Progressão retrocesso
Lançado pelo destino
Caí num pedaço de nada!
Ciente que era do retrocesso,
Na vã tendência de querer ser alto,
Lancei os dados - e fui vencedor!
Peguei na soma
Dos pontos dos dados e
P'ela mão do meu fado,
Em alado condor,
Vaguei ao deserto da humidade!
Ciente que era do retrocesso!
Tomei de surpresa, num como regresso,
O meu retrocesso avante.
Degredado – ciente à partida! –
Num grão de mar!
Porém com o credo de um dia voltar!
Sim, hei-de voltar...
Contudo, entretanto,
Entre raiva e pranto
Esvai-se o longo tempo.
E eu
Com o credo de um dia voltar
Acompanho o seu arrastar.
Enquanto, neste grão de mar,
Vou – arredio de nativos
Em cujos entrudos
Grunhem olhares mesquinhos,
Em cujas caixas
Palpitam suspiros de bílis,
Em cujos esgares
O não é sim, o sim é não e tudo é nim –
Alando meu fado
Para que o credo, ainda que a nado,
Me faça progresso.
Vila do Porto, 2007-01-03

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