RASGO DE PAIXÃO
Sempre que o olhar em ti se aninha
Eu vagueio por desérticos jardins;
Nesse andar errante erra em mim
Ardente angústia que em brasa se mantinha!...
No errar de minha ânsia - em ti sedenta -
Um caudal de fogo ali caminha,
Um fogo que consome e alimenta
As garras que rasgaram a alma minha!...
No rasgo de meu peito – um rasgão,
Nas fendas do olhar – enorme rasgo,
Na rasgada alma p’ la paixão
Caminha a dor – sulcando novo rasgo!...
Tanto rasgo traz no peito azedume
E nos gretados lábios um queixume!
Traz um o olhar – se lacrimeja:
Mais rasgado se a lágrima te beija!!
Uma coisa em tanto corte tenho certa:
A seu gosto passeando a nostalgia,
Qual lâmina! Que sinto noite e dia,
Enorme rasgo reabrir na fenda aberta!

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