Jazigo de solidão
Acordo e vejo ao lado
O frio comigo deitado,
Fecho os braços num abraço,
Em sinal de desespero, e fico de olhos baços
Doridos pelo gelo
De tão pesados laços!
E num grito de dor d' alma
Perco-me em sonhos...
Quase medonhos!
Presos na mente,
Pálida, retorcida e doente, enquanto
Por entre o acre pranto
Ouço o vento ao longe
Bramindo dentro de mim,
E neste bramido sem fim
Ergue-se a alma em pedaços
Desfeita em mil gemidos
E dos sentidos ais sem fim
Saem-me gotas lancinantes,
Trementes, aos molhos,
Dos túmidos olhos,
Caindo em golpes rudes, penetrantes,
No desventuroso peito.
E, sem forças,
Sem alento p´ ra lutar, esmoreço
E permaneço
Neste jazigo de solidão.
Vila Franca do Campo, 98/10/13 – 5h20m

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