Libertação
Pequenina! Indefesa no planalto,
Bem no cimo da montanha enraizada,
Estava só, com o vento, lá no alto,
Ali bailando, quando este lhe soprava!...
Um dia quis ter asas p’ ra voar,
Como o vento passear onde quisesse!
Não iria jamais se deslocar
Enquanto a raiz assim quisesse!
Chega um dia cabisbaixo um passarinho;
Nesse ermo sua dor refugiara:
Deixara lá por baixo o seu ninho
E o carinho que o homem lhe roubara!
Em melodia?! Sussurrando o chamava
A pequenina! doce erva do planalto:
Ensina-me a voar – Lhe suplicava -
Como tu, livremente, lá no alto...
Tristemente, o passarinho a olhou,
Uma nuvem a bailar-lhe no olhar:
Primeiro a sua mágoa não deixou
Mas depois lá consegui articular:
- Sabes, não se encontra lá no alto a liberdade,
Nem por caminhos que tu possas caminhar;
Está dentro de ti, está na vontade
E na força que tu tenhas p’ ra sonhar!
Caiu no chão e logo após reverdeceu,
Quis poder o passarinho afagar...
Apesar do seu querer compreendeu
Que ser livre não é bem poder voar!!
Mirandela, 93/Jun.

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