De ilha em ilha
Meu peito nasceu com asas,
Com ilhas de amor sonhou!
De ilha em ilha voou,
Voando ficou sem asas!
De ilha em ilha voando,
Só áridas encontrou,
Tão áridas – e eu sonhando:
Sem asas a alma ficou!
Pois que por ilhas penou,
Por ilhas ficou sem asas;
Vendo a alma sem asas
Nunca mais ilhas buscou!
Sem asas, sem ilhas então,
A alma no chão, fremendo,
Jurou a si e ao vento
Quedar-se em erma prisão!
E quedou!
Em si mesma escondida!
Tanto em si se ocultou
Que em si mesma ficou sem vida!
Vila Franca do Campo, 97/Dez.

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