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2005-04-27

Idílio que doi

Num casar inocente,
Num alento constante
Vêm as águas cantantes
Nas rochas espraiar-se dementes!

Isentas às águas do mar,
Ao receber seus poemas,
Fazem as rochas da praia
As águas do mar floridas!

Alvas e puras as águas,
Como se noivas vestidas,
Despem o manto e então
Desmaiam de novo floridas!

Neste idílio constante,
De providente harmonia,
As pedras e águas do mar
Soltam gemidos a fio!

Gemidos! Gemidos!
Gemidos que a alma me assaltam!
E no assalto devastam
Os sonhos que são perdidos!

Vila Franca do Campo, 97/Nov.