Idílio que doi
Num casar inocente,
Num alento constante
Vêm as águas cantantes
Nas rochas espraiar-se dementes!
Isentas às águas do mar,
Ao receber seus poemas,
Fazem as rochas da praia
As águas do mar floridas!
Alvas e puras as águas,
Como se noivas vestidas,
Despem o manto e então
Desmaiam de novo floridas!
Neste idílio constante,
De providente harmonia,
As pedras e águas do mar
Soltam gemidos a fio!
Gemidos! Gemidos!
Gemidos que a alma me assaltam!
E no assalto devastam
Os sonhos que são perdidos!
Vila Franca do Campo, 97/Nov.

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