Flor? Lume!
Bela! – Sim, divina até!
E depois? De que te vale,
Se em tanta beleza não vês
Que tal beleza é teu mal!?
O sol nos cabelos, Vénus
No rosto! – Estampado em ti:
Meu sonho! – Corri p’ ra ti,
Num golpe d’ asa de Eros!
Mas quê?! Engana tal flor!
Em ti beleza é gume,
É dor; te falta o perfume
Da flor que não és – és lume!
Que lume? Lume de flor;
Flor de ciúme – isto me prende!
E amor, insano se estende,
Demente, p’ ro corpo de flor!
Deixa – e desculpa! - amor,
O tempo irá te apartar
Dessa beleza a bailar,
Perdida de flor em flor!
Mirandela, 94/Jan.

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