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2005-02-27

A Rosa

Deu-me asas Cupido!
Asas que às nuvens, desde a infância, me elevaram.
Julguei, ao ver-me ali subido,
Ser um príncipe – dos que em lendas me pintaram!
Mas, oh, triste sorte! Triste de mim!
Que ao ver-me subido assim
Também preso me senti!
Não havia princesas por lá…
Nem castelos, nem fadas, nem reinos,
Nem os contos me pareciam já verdadeiros...
Mas... eis que vislumbro de lá
Uma rosa, graciosa como um botãozinho.
Senti-me como o de Saint-Exupéry, principezinho
– Sem flor, contudo –
A viver passando então
De rosto apoiado na mão,
Num contemplar de renovada ilusão,
Com medo que a rosa murchasse – não desci
E não descendo não a colhi:
Receando que a rosa murchasse...
Fiquei contemplando apenas – até que outrem chegasse
E lograsse acercar-se, abeirar-se tocá-la, beijá-la...
Passei, entristecido, a orvalhá-la
Com risos que eram beijos - diluídos beijos dos olhos
Que lhe lançava aos molhos
Até... até que da vista a perdi...



Vila Franca do Campo, Dezembro/97