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2005-02-14

Sensos

Voam almas lá no alto, etéreo prado,
Voam mentes num querer desenfreado
E no voo um desejo sem ter fim
Que ateia o sangue num ardor de amor sem fim!

Arde a ânsia nos olhares seduzidos,
Arde um brado nos quereres incontidos,
Arde o peito no aflorar que, forte, apraz,
No lume: leve roçar - vai... Não vai... e “Traz!”

Rodopiam os sentidos embrasados,
Surgem laços dos abraços agitados,
Violentando o pudor num frenesim,
P’ ra dar ao peito, de lascívia, um festim.

Chama infinda, avidez, sofreguidão...
No lascivo abandono à paixão;
E sem dar trégua à carícia sensual:
Curvas trejeitos, doce estio, vendaval!...

Suam corpos num ardor insustentável,
Brota ardente o doce cio do vulcão,
E no íntimo o desejo incontrolável
Ateia o sangue extasiado na visão.

Nesse rio, nesse mar, já ofegante,
Ainda aceso um grilhão inebriante,
E nas veia sensuais vai extasiado
O doce odor de perfume incinerado.

Saciados! Em olhares divertidos:
Olhos nos olhos cravados - sem pejo!
Em sorrisos, em promessas dos sentidos.
– Não pensem mal que mal não tem - foi só um beijo