Sonho desfeito
Apunhalado! este peito tão dorido,
Golpeado pela dor da solidão!
Nesta alma uma vida sem sentido
E a nostalgia alagando o coração!
Sinto o vento afagar o meu caminho,
Sinto a chuva, cor de sangue, no olhar;
E cá dentro, num jardim descolorido,
Sobre o mel vai caindo um acre mar.
É um sonho o punhal que desferia
Os seus golpes neste peito inflamado,
Empunhado pela rosa que luzia
Neste sonho, por si também, engrilhoado.
É, porém, num triste esgar que vou sorrindo:
Seu destino segue noutra direcção!
Aqui levanto - mas ali já vou caindo...Sob o peso da nostálgica ilusão!

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