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2005-02-14

Pecados II

Fecho os olhos à noite
E ergo os olhos ao céu...
Deixando que o vento açoite
Est’ alma perdida no breu
Por força desta torrente
De pecados - que tão vilmente,
N’ alma, o mundo me cometeu!

Pecados que não são raros,
Que roem a mente e o corpo
E mesmo estando absorto
Contorço a alma em espasmos
Das dores que tais pecados
(Pecados que não são raros!)
Me ferem os sonhos dos céus.

Sonhos! Sonhos qu’ a alma elevam
Que junto com ela me levam
Aos sonhos que são só sonhos
- Que são só meus, que são tristonhos,
Quase medonhos - Ainda que levem
Consigo uma flor: Pecados meus
E estes só podem ter vida nos céus!


Vila Franca do Campo, 98/02/02