Reactivado
Acreditámo-lo extinto!
Malfadado coração.
Contudo, o maldito destino,
Trouxe de novo a erupção!
Bastou olhar em seu olhar;
Ouvir – tão doce! – o seu falar;
Olhar tão quimérico rosto,
Tão suave perfil, tão angélico ar...
E tu, e eu, e nós
Vimo-lo – oh, coitados de nós! –
Atados em graves nós,
Mais graves ainda que outrora.
Tão graves que entrou em fusão
O frio que era nosso viver.
Reactivou-se o vulcão
E agora
Trago nos olhos a cratera
Que vai largando por terra,
Terra que ela pisa,
Tépidas gotas de lava,
Expelidas pelo oceânico fogo
Que lavra inexorável
O gelo que vai neste peito;
E nem este gelo desfeito
Nem o frio que de lá provém
Acalmam este vulcão,
Sustêm esta fusão
Nem nos trazem libertação!
Oh! Coração!
Que, doravante, em chamas,
(Chamas que consomem num fogo imenso,
Intenso) iremos viver tão duro
Tremendo arrastar d’ horas.
Enquanto eu choro
Enquanto tu clamas
E nada logramos...
Vila Franca do Campo, sexta-feira 13 de Março de 1998

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